Parabéns Carmona!


Carmona,  no Estádio do Pacaembu,
onde comemora domingo 48 anos de profissão
O repórter mais experiente em atividade no jornalismo esportivo do Brasil é Roberto Carmona, que aos 75 anos segue firme e forte na profissão.
Carmona está na equipe de Éder Luiz há 16  anos,  hoje na rádio Transamérica FM 1001,1 Mhz de São Paulo trabalha nas jornadas esportivas onde faz meta e também participa de algumas edições do Papo de Craque onde  é comentarista contundente.
Acreditem, ele é chamado carinhosamente  de "cavalo" no meio, por causa do seu  vigor físico  eser uma espécie de "Seu Saráiva" do rádio ( Tolerância Zero) principalmente quando não concordam com o seu comentário ou suas colocações.
Carmona conversou a a reportagem do BLOG no último dia 16/10   momentos antes da partida entre Palmeiras e Fluminense no Canindé, sempre muito atencioso ele falou a respeito da carreira,mudança de linguagem no rádio,  futuro do jornalismo no meio esportivo, e de boas histórias ao longo desses anos na profissão.
Nesse domingo Carmona estará no Pacaembu trabalhando na partida entre Corinthians e Avai,  e foi nesse mesmo dia 30 de outubro que há 48 anos ele começava a traçar uma brilhante história no rádio,  onde pouquíssimos que estão não meio esportivo vão alcançar um dia.

Como começou essa história Carmona?

Vim de Arapongas no Paraná para São Paulo no começo da década de 60 mas não foi para trabalhar em rádio não, era mais para resolver uns problemas de família e continuar trabalhando como técnico de contabilidade, nessa época quem trabalhava em rádio  era tido como bandido,  vagabundo  e sem vergonha.
Certo dia fui a Rua Javari assistir ao jogo da Prudentina e Juventus,  a convite do pai do Tarciso ( jogador da Prudentina) no intervalo esbarrei com Joseval Peixoto (Âncora da Jovem Pan e do Jornal do SBT)  éramos amigos de infância e ele sabia que eu estava em São Paulo, mas não tinha meu contato.
Joseval estava de saída da Rádio Bandeirantes na época e  me pediu para fazer um teste de repórter na Rádio Record, emissora que ele  estava se transferindo.
Fiz o teste, passei e foi justamente no dia 30 de  outubro de 1963  uma quinta-feira estreava como reporte na Rádio Record no estádio do Pacaembu na partida entre Palmeiras e Comercial de Ribeirão Preto.


" Qualquer um pode trabalhar no rádio hoje,  quando comecei a coisa era bem diferente"

Depois da Record passou por onde?

Depois fui para Naciona que virou Globo, de lá fui trabalhar com o Éder Luis que tinha saído da Bandeirantes e montado uma equipe na Rádio Capital, Band FM no início da década de 90 e depois Transamérica onde permaneço até hoje.


E copas do Mundo foram quantas?

Das 19 disputadas até hoje estive em 10 " graças" ao Barbosa Filho ( já falecido) que me tirou da Copa dos Estados Unidos em 1994.
México 1970 -  Alemanhã 74 - Argentina 78 - Espanha 82 - México 86 - Itália 90 - França 98 - Coréia e Japão 2002 - Alemanha 2006 -  África 2010.



"O povo gosta de anti-cultura"

Carmona ( a direita de óculos) entrevistando o Rei.
Foto: Walter Peres site: Milton Neves
Nesse domingo você comemora 48 anos no mesmo estádio onde começou, tem alguma história do Pacaembu?

Foi lá que entrevistei Pelé pela primeira vez e vi com  emoção  em 1967 uma partida  entre Palmeiras e Santos. Estava presente nas arquibancadas o príncipe sueco Bertil, por isso a partida ficou conhecida como o “Jogo do Príncipe”. Na ocasião, a realeza protagonizou uma história engraçada, perguntou se Pelé era o camisa 10 do time de verde, no caso, Ademir da Guia, porque o jogador do Palmeiras fez uma excelente partida na vitória por 2 a 1 sobre o Santos.


O rádio  feito hoje é um rádio pobre?

Não sei se é esse o termo, o rádio de hoje é muito diferente. Na na minha época era mais um rádio acadêmico, tinha que saber falar direito, não podia falar palavrão o rádio instruía o ouvinte, hoje não.
A linguagem mudou. Dá pra dividir em dois períodos:Até o Pedro Luis que era brilhante conduzia as suas equipes e narrações o veículo era um, do Osmar Santos pra cá ele é outro.
O Osmar inovou a linguagem, tinha gente da produção dele que criavam termos e textos criatívos como: "Pimba na Gosduchinha" ou " É fogo no boné do guarda". Eu acompanhei essa mudança e tive que me adaptar a nova linguagem pra não perder a minha boquinha.
Hoje o rádio não tem mais a função de instruir e sim de divertir.


"Falta  comprometimento para a atual safra de repórteres esportivos"

Na sala de imprensa do
Pacaembu - Foto: Blog do Torva
Foi divicil se adaptar?

Um pouco, mas descobri que o brasileiro gosta mesmo da "anti cultura". O grande exemplo disso é o Faustão, que era um baita repórter, mas falava muita bobagem por isso, ganhou um programa de tv em rede nacional. O povo quer "anti-cultura". No rádio o Éder Luis contratou o Gavião que é um personagem que só fala errado e faz muita palhaçada no ar.

A informação ficou em segundo plano?

Acho que não, mas ela não é mais tão importante quanto antes

"Só vou parar  de trabalhar como repórter quando eu morrer"

Quem você vê como destaque em reportagem de rádio?

Olha, com toda sinceridade, eu gosto de um monte de colegas que estão na área, tem muita gente com futuro e capacidade, mas não vejo nenhum repórter hoje interessado na profissão. Hoje estão todos acomodados no meio, isso acontece também por que todos aceitam entrevista coletiva que é uma porcaria.
Ninguém vai preparado para entrevista coletiva. Eu participo porque é uma babaquisse!
Ninguém tem interesse de seguir na profissão, a profissão de jornalista em rádio acaba ficando em segundo plano.

Qual homenagem gostaria de receber nesse domingo?

A melhor é continuar tendo a oportunidade e o espaço para continuar trabalhando aqui no gramado não como comentarista, já fui chamado pelo Éder para comentar, mas não quero o dia que falarem o Carmona não vem mais para o campo, é porque ele morreu.

Reportagem: Anderson Cheni

Confira abaixo um trecho da entrevista de Roberto Carmona.

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