Inclusão Social no rádio esportivo do interior de SP

Vagner Alves , Gabriel Piccinin  e Juninho Stenico
na  cabine da emissora em Capivari 
No último dia 07 de março a Raízes FM da cidade de Capivari, interior de São Paulo  entrou para a história do rádio esportivo do  Brasil. A rodada da Série A 3 foi marcada pela vitória do  Capivariano  por três a zero em cima do Olímpia, mas o resultado foi o menos importante, o que chamou atenção nessa partida foi o fato da emissora escalar dois profissionais com deficiência física para cobrir esse jogo. O narrador Vagner Alves, e o repórter Gabriel Piscinin, realizaram seus trabalhos, sem a imaginar, que estavam quebrando tabus, e ajudando a pôr fim aos preconceitos em relação ao deficiente como profissional, principalmente da imprensa seja fala, escrita ou televisiva. Os meios de comunicação que tanto pregam a inclusão e acessibilidade, poucas oportunidades dão para esse público, principalmente nos departamentos de esportes. Vagner Alves, 44 anos, já experiente, trabalha com narração esportiva deste 2002 e tem passagens por emissoras de rádio de Campinas ( Central am ), Jundiaí (Cidade)  e Valinhos (730).
A deficiência sempre foi um empecilho, mas para as pessoas do que para ele próprio. Os responsáveis por contratar nas emissoras de rádio e TV, têm mais desconhecimento que o preconceito, pois depois que convivem com a diversidade, percebem que a produção do profissional é igual aos demais narradores, repórteres ou comentaristas” disse Vagner Alves. O jovem repórter Gabriel Muller Piccinin  tem apenas 16 anos, sempre foi um apaixonado por esporte e pelo Palmeiras. Gabriel, que é estudante, nasceu prematuro e teve paralisia cerebral (A paralisia cerebral (PC) é um grupo de sintomas caracterizado por uma dificuldade no controle da postura e do movimento), e usa cadeira de rodas para se locomover. Gabriel participa do programa Toque Esportivo, da Raízes FM fazendo o contraponto do torcedor palmeirense no programa e faz parte da equipe que transmite os jogos do Capivariano na série A3 do Paulista. “Comecei participando mandando áudios para equipe e por convite do Juninho Stenico, vim fazer parte da equipe nos jogos aqui na Arena, foi uma oportunidade que deu até mais certo do que eu esperava” falou Gabriel.  Existem poucos profissionais com deficiência que trabalharam ou trabalham em emissoras espalhadas pelo Brasil, mas esse fato chamou atenção por contar com dois radialistas  trabalhando em um mesmo evento. 
No Brasil segundo dados do IBGE, existem mais de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, física, intelectual, auditiva ou visual. Deste 1991, existe a Lei de cotas que determina a contratação de pessoas com deficiência para o mercado de trabalho, porém essas vagas nunca são destinadas para funções como as destacadas na matéria e pessoas com deficiência veem seus sonhos de trabalhar em grandes empresas de comunicação; como narradores, repórteres ou comentaristas, ser substituídas por atividades meramente administrativas, ainda assim quando essas oportunidades aparecem.  Que exemplos como esse se espalhem pelos veículos de comunicação, parabéns a emissora pela coragem e que Vagner e Gabriel possam ter mais oportunidades  nas jornadas e programas esportivos. 
Foto: Divulgação
Colaboração: Vagner Alves

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