segunda-feira, 17 de março de 2014

“O tubo matou o rádio esportivo”, afirma Milton Neves, que promete: fica na RB até se aposentar

Milton durante uma das ações da
Rádio Bandeirantes no Parque do Ibirapuera
 
Um dos jornalistas esportivos de maior sucesso no Brasil e dono de uma voz inconfundível, o perspicaz mineiro Milton Neves está muito bem de vida, mas além de dinheiro, colecionou inimigos e alguns processos. Porém, seus seguidores são fiéis, os chamados “miltistas”, não deixam de acompanhá-lo seja qual for a mídia: rádio, TV, jornal, revista, redes sociais e site, onde foi pioneiro ao lançar, em 1994, página que levava seu nome e que se transformou no  Portal Terceiro Tempo. E o que ele faz, seja como jornalista ou publicitário, é praticamente receita certa de sucesso. 
Com seu jeito falastrão e polêmico, Milton recebeu o Comunique-se em seu escritório e fez questão que sua equipe participasse da entrevista, que só aconteceu depois de resolver mais um problema ajudando mãe e filha de um famoso ex-jogador de futebol que passa por dificuldades financeiras. Assunto que ele sabe muito bem como é, pois quase todos os dias há alguém que lhe peça algo. Ele mesmo passou por dificuldades quando chegou em São Paulo no início da década de 1970, época de vacas magras, mas que começou a mudar quando investiu em sua agência de propaganda, que teve início em uma salinha no mesmo prédio da Avenida Paulista, onde, hoje, é dono de um andar inteiro e, ainda de quebra, tem várias outras salas alugadas no mesmo endereço. 
Em entrevista ao Comunique-se, o jornalista fala de sua carreira, do Terceiro Tempo, site que é tocado sem seus palpites, do rádio – meio que tanto ama - e aposentadoria. Pela primeira vez, ele afirmou o que muitos já suspeitavam: não pretende mais “pendurar as chuteiras” no decorrer dos próximos anos para ir morar na sua querida terra natal: Muzambinho, no sul de Minas Gerais. Pelo contrário, Milton espera ir ainda mais longe em sua já consolidada e bem sucedida carreira, mas faz críticas à cobertura radiofônica atual. Para ele, o meio piorou 80% desde que começou a trabalhar na área.
JORNALISTA ONLINE 
Como surgiu o Portal Terceiro Tempo? 
Foi no começo dos anos 90, quando um amigo viu a publicidade de alguns jornalistas no exterior deu a ideia, lancei em 1994 o site do Milton Neves, que surgiu antes do Uol. Hoje, tenho uma equipe com 12 profissionais e olha que todo mundo é diplomado, registrado e tem seus benefícios, geralmente é o primeiro emprego de muitos deles e a maioria que já passou por aqui está muito bem empregado. O Portal Terceiro Tempo veio com a necessidade de achar espaço na coluna que escrevia no jornal, e as fotos foram aparecendo. Agradeço muito ao Rogério Micheletti, jornalista que começou o projeto com fotos de jogadores antigos e que está no Fox Sports. O Portal tem mais de 120 mil fotos, só lamento que tem muita gente que usa e não dá crédito. Tem muito ladrão de foto e de texto por aí. 
A linha editorial é sua? 
Que nada! Tenho uma equipe muito competente que meu filho Netto Neves administra ao lado dos jornalistas Tufano Silva e Ednilson Valia. Não mando em nada! A única coisa que peço é que todos façam o que eu fiz no início da carreira: ousem, porque assim a chance de dar certo é maior. Eles fizeram algumas modificações na parte de tecnologia e na linguagem e não é que audiência teve um aumento superior a 200%... 
 Milton Neves e parte de sua equipe durante a entrevista 
Qual a sua maior satisfação hoje com o projeto do site? 
Meu portal tem uma estrutura que muitas redações por aí não possuem, o custo é alto e não tenho vergonha de afirmar que caminha muito bem. Só não abro mão da seção ‘Que Fim Levou’, onde destaco os três tesões que tenho na profissão: 1-jogadores velhos, 2-jogadores velhos e 3-jogadores velhos.

([Durante a entrevista o telefone não para de tocar. Em uma das ligações, Milton Neves entra ao vivo no ‘Jornal em Três Tempos’, da Rádio Bandeirantes (ao todo, são 24 participações diárias em 5 emissoras do Grupo Bandeirantes). Seus boletins não têm nada escrito, é tudo no improviso, tanto que devido a sua popularidade, acertou a participação em mais uma emissora, a Bradesco Esportes FM.] 

CRÍTICAS AO MEIO RÁDIO 
A migração do rádio AM para o FM será positiva? 
Essa sem dúvida alguma é uma das melhores notícias que o meio de comunicação apresentou nas últimas décadas, vai sem dúvida salvar a lavoura. O rádio AM estava com muitas dificuldades e com a migração, além de solucionar o problema de captação da emissora, vai valorizar e muito o prefixo.
Comparado com seu início de carreira, como está o meio rádio? 
Do tempo que comecei, comparando com o de hoje, piorou 80%. Tem muita coisa ruim no rádio, como o “off tube” [quando as transmissões de futebol são feitas nos estúdios, não nos estádios]. O tubo matou o rádio esportivo. Antes, em uma viagem para o nordeste, por exemplo, a equipe ficava por lá dias se preparando para uma competição, a rádio mandava o narrador, o repórter, o comentarista e dois operadores. Hoje não manda ninguém. 

“Você acredita que em 20 minutos, eu gravei 10 cabeças de programas? O operador não acreditou e se levantou pra ver se tudo aquilo que eu tinha falado estava escrito. Quando ele chegou perto de mim no estúdio, viu que só tinham tópicos e ficou com a cara de abismado” (Milton Neves) 

RÁDIO TERCEIRO TEMPO 
 E a sua rádio (Rádio Terceiro Tempo no Guarujá) tem previsão de inauguração? 
Tem muita burocracia envolvida em tudo isso, mas eu acho que no primeiro semestre do ano que vem estará no ar. 
Terá programação própria? 
A ideia é de colocar em rede, mas a certeza é que terá janelas locais. Vou dar prioridade para a Rádio Bandeirantes. Se por acaso não tiver acordo, procuro outra emissora. Já estou observando o mercado da baixada e vi que as emissoras estão explorando pouco o mercado. Assim que ela estrear, teremos novidades.
Quem você contrataria para a sua equipe esportiva na Rádio Terceiro Tempo?
O narrador seria o Mário Caixa, da Itatiaia. O comentarista e coordenador seria o Flavio Gomes (seu amigo desde a época da Jovem Pan e hoje no Fox Sports). E os repórteres seriam Luís Carlos Quartarollo (Jovem Pan) e Alexandre Praetzel (Rádio Bandeirantes).
 APOSENTADORIA
 Você voltaria a trabalhar na Jovem Pan?
(Emissora, você ficou conhecido e trabalhou lá por décadas, mas ao sair, processou e ganhou a causa)
Estou muito bem na Rádio Bandeirantes, onde cheguei em 2004. A Band (TV) me acolheu depois dos problemas que tive (processo envolvendo o empresário e apresentador da Record, Roberto Justus). Então, digo que não vou [para a Jovem Pan] porque fico na Bandeirantes até o fim da minha carreira. 
A aposentadoria que você já anunciou, será quando?
Esse negócio é balela, nem eu, nem o Faustão, nem o José Silvério (seu colega na Rádio Bandeirantes) vamos nos aposentar. Na verdade, vão nos aposentar. Sigo firme e forte e vou tocando a minha vida sem essa história de me aposentar. 

Jornalista confirmou adiou a aposentadforia 
“Não existe a fórmula mágica do sucesso, nem segredo. Tudo que a gente consegue é na base de muito trabalho e modéstia. Sou tão modesto que gostaria de lançar o site modestia.com.br. Falando sério, não tenho falsa modéstia, tudo que eu faço eu ‘lardeio’ em todas as mídias. Falo de tudo, principalmente do meu site que hoje é o maior portal da memória esportiva. Adoro falar de jogador velho e lá tem um acervo sensacional. A equipe que trabalha comigo é muito boa, tanto que muitos que passaram por aqui foram para grandes empresas” (Milton Neves)

Fotos:  Rodrigo Belentani, Roberto Gozzi -Terceiro Tempo e Digulgação - Rádio Banderiantes