terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

As Tribos Musicais e sua relação com as mídias

O estudo do Instituto IBOPE analisou seis diferentes tribos musicais: sertanejos, pagodeiros, roqueiros, emepebistas (MPB), funkeiros e gospeis. A escolha baseou-se não apenas nos estilos musicais com maior penetração, mas também considerou os que ocupavam posições de destaque em duas variáveis importantes para análises comportamentais: classe social e faixa etária. Além disso, foi feito um levantamento em parceria com a Crowley, das 100 músicas mais tocadas nas rádios brasileiras de janeiro a agosto de 2013, para dar sustentação à análise. O sertanejo e o pagode estão entre os gêneros musicais mais escutados nas rádios com 58% e 44% de penetração entre os ouvintes, respectivamente. Não por acaso, esses são os estilos musicais com a cara do brasileiro. Os dois grupos são, basicamente, compostos por pessoas de ambos os sexos, da classe C e com idade entre 25 e 35 anos. Os ouvintes desses estilos musicais possuem boa relação com propagandas, com ligeiro destaque para os pagodeiros. Os dois grupos apresentaram uma significativa afinidade com frases do tipo “sempre presto atenção na publicidade no rádio”, “confio nos produtos que os apresentadores de TV indicam” e “gosto de ler propagandas em revistas”. Aliás, a revista é um meio que desperta interesse nesse público: 32% dos sertanejos e 34% dos pagodeiros confiam no meio para se manterem informados, enquanto 27% dos ouvintes de ambos os estilos a consideram como principal fonte de entretenimento. Quando o assunto é rock e MPB, estamos falando dos sons de um público mais elitizado. Os amantes desses gêneros representam 31% e 47% dos ouvintes de rádio, respectivamente, destacando-se pelo alto nível de escolaridade e participação nas classes AB. O que distingue os dois grupos é a idade: enquanto o rock tem presença garantida entre os jovens de 12 a 19 anos (22%), o MPB apresenta boa aceitação entre o público de 45 a 54 anos (18%). Os ouvintes de ambos os estilos também são considerados multimidiáticos. Os roqueiros, por exemplo, leem jornal todos os dias (30%), vão ao cinema regularmente (28%) e geralmente assistem à TV e acessam a internet ao mesmo tempo, enquanto os “emepebistas” gostam dos encartes especiais nos jornais (39%) e confiam no rádio e na internet para se manterem informados (57% e 48%). Essa diversificação do uso de plataformas no momento de consumir conteúdos é reflexo de um público bastante antenado e exigente. Os apreciadores de funk e música religiosa, por sua vez, apresentaram mais similaridades entre eles do que se possa imaginar, especialmente devido à classe social na qual estão inseridos. Os dois estilos foram escutados nas rádios por 17% e 29% dos ouvintes brasileiros, um grupo composto, principalmente, por pessoas da classe CDE e com ensino fundamental incompleto. A faixa etária, outra vez, é o fator de diferenciação entre as tribos: mais de um terço dos funkeiros (38%) têm entre 12 e 19 anos, enquanto os gospeis/religiosos se enquadram melhor entre o público jovem, de 25 a 44 anos (45%). É importante reforçar que a música gospel, embora tenha sido classificada como um gênero, envolve todos os estilos citados acima. Os gospeis/religiosos, por sinal, têm muita afinidade com o rádio. Eles gostam de ouvir entrevistas ou programas falados (47%) e mais da metade deles confia no rádio para se manter informado. Além disso, o meio é encarado como principal fonte de entretenimento por 30% desse público. Já os funkeiros, até pela questão da idade, têm uma ótima relação com o ambiente online, 34% deles afirmam que assistem TV e navegam na web simultaneamente e 39% deles encaram a internet como principal fonte de entretenimento. Seja em busca de distração, entretenimento, informação ou companhia, a realidade é que todas as tribos estão sempre à procura algo em comum: experiência e conteúdo. E nesse cenário midiático altamente competitivo e desafiador, o que se espera é que as rádios continuem tendo o alcance de uma música popular, que os anunciantes tenham sempre a clareza de uma melodia clássica e que as agências estruturem seus planejamentos como verdadeiros cantos gregorianos.
Fonte: IBOPE Media