terça-feira, 8 de outubro de 2013

Jornalista tem que estar preparado para ser multimídia, futuro da profissão está na internet

 Reportagem Juliana Vaz  
Rosana Jatobá defendeu o profissional multimídia
Uma das principais questões quando se analisam o mercado de trabalho para jornalistas é se ainda há espaço para profissionais monomídia. E esse foi o foco do debate no Painel Diálogos I, no primeiro dia do seminário mídia.JOR, que acontece até a próxima quarta-feira dia 9 de outubro, no teatro da Aliança Francesa, em São Paulo (SP). “É possível ser um jornalista de uma única mídia, mas eu não recomendo”, diz Rosana Jatobá, atual apresentadora da Rádio Globo e da NatGeo, no setor de sustentabilidade. Por meio das experiências que teve em edição, reportagem e apresentação, a “ex-garota do tempo”, como ainda é conhecida, contou como conseguiu se especializar em um tema de interesse pessoal e admite: “quem souber andar por todas as plataformas tem mais chance de adquirir independência”. Por outro lado, o ex-diretor de jornalismo do SBT e professor da PUC-SP, Marcos Cripa, acredita que equipamentos tecnológicos não adiantam para quem não tem capacidade. Além disso, acha que não vale a pena trabalhar em diversas plataformas e receber apenas o salário de uma. “O jornalismo se faz com o cérebro e a vontade, não com a tecnologia", diz Cripa, enquanto mostra o celular analógico. Rosana, brincando, sugeriu que, após a palestra, o colega comprasse um aparelho smartphone.
Rita Lisauskas acredita que o futuro
do jornalista está na Internet
Outro tema recorrente da discussão sobre as novas oportunidades para atuação dos jornalistas foi o espaço que a internet vem ocupando nos veículos de comunicação. Rita Lisauskas, por exemplo, contou que, após 15 anos, trocou a televisão pelo portal Terra. A apresentadora, inclusive, acredita que o futuro da profissão esteja na internet e alerta para a possibilidade que os novos jornalistas têm nos blogs, como meio de divulgarem seus trabalhos. “Qualquer um pode escrever em blog, para isso não precisa ser jornalista”, acredita Cripa. Mas, para Jatobá, isso se traduz na grande chance que os profissionais da mídia têm: “se tantas pessoas estão tendo sucesso com blogs, porque nós, que possuímos habilidades para escrever e conhecimentos especializados, não podemos nos dar bem também?”, questiona. Outros painéis que marcaram o primeiro dia do mídia.JOR:

“Os desafios da mídia nacional em ano de Copa do Mundo e eleições presidenciais”
Ascânio Seleme, diretor de redação do jornal O Globo, contou um pouco sobre o planejamento do veículo para a cobertura da Copa do Mundo e das eleições, que ocorrerão no próximo ano. “A Copa vai incomodar o governo. Se, por exemplo, a Argentina ganhar o Mundial isso irá prejudicar na campanha da Dilma”, afirma. 
 Abaixo alguns dados relevantes expostos por Seleme: 
• 55 profissionais irão cobrir a Copa do Mundo nas cidades-sedes e 30 farão a cobertura da redação. 
• 17 jornalistas trabalharão nas eleições, além de 15 redatores de outras editoriais, 25 de sucursais e 10 freelancers, totalizando 67 pessoas.
• Há três anos o jornal possui uma editoria de mídias sociais, com o envolvimento de dez profissionais exclusivos. O Globo tem 1,2 milhão de seguidores no Facebook e 1,1 milhão no Twitter.
• Todos os profissionais do jornal produzem conteúdo para todas as mídias do grupo e apenas 30% são exclusivos de plataformas digitais. 
• 95% da receita do Globo vêm do jornal impresso.

“Os desafios da cobertura de conflitos: valor da notícia x liberdade de imprensa”
Bruno Torturra, da Mídia Ninja, Fábio Pannunzio,TV Bandeirantes, e Fábio Rocha Braga, fotógrafo da Folha de S.Paulo, foram os convidados do terceiro seminário. Eles contaram sobre a cobertura das manifestações nas ruas de todo o Brasil, principalmente no mês de junho e relataram agressões de policiais e de alguns manifestantes. “A velha mídia cobriu com medo, não sabíamos o que era”, Pannunzio. “A mídia foi identificada como inimigo, como alvo político”, Torturra. “Sou contra a identificação de jornalistas com colete em manifestações. Todos têm o direito de mostrar o que estão vendo pelo celular”, Braga.  

“Grandes entrevistas – Jornalismo Investigativo: os bastidores do esporte”
Marcelo Gomes, repórter e produtor especial da ESPN, contou belas histórias de reportagens que foram além da responsabilidade de informar e passaram pelo lado social de algumas causas. “Depois de algumas histórias, muitas pessoas ligam na redação querendo investir e ajudar os atletas brasileiros e, para nós, isso é muito gratificante”, conta. Para Marcelo, o esporte no Brasil é uma “piada”. O jornalista é contra a gestão do Comitê Olímpico Brasileiro e não concorda quando Tiago Leifert, apresentador do Globo Esporte de São Paulo, diz que jornalismo esportivo é entretenimento. Com relação a crescente participação de ex-atletas no meio jornalístico, afirma: “Pior é o cara que não está no lugar da notícia, que nunca viveu aquilo e fica só no estúdio.”  
O Blog segue com a cobertura jornalistica do mídia.Jor nessa terça-feira (08) - segundo dia do evento realizado pela revista Imprensa.
Fotos: Alf Ribeiro13