Rádio do Tocantins investiu mais de R$ 2 na Copa das Confederações e foi a única a transmitir todos os jogos direto do estádio

99% de loucura e 1% de razão. É assim que Salomão Carvalho, goiano da modesta Itaberaí, define o ousado projeto da Rádio Miracema do Norte para a Copa das Confederações. A emissora representa o Tocantins e foi a única de todo segmento radiofônico a transmitir todos os 16 jogos da competição direto dos estádios. “Até Nigéria x Taiti”, conta Salomão. Ele tem dificuldades, e faz um pouco de mistério, para explicar o tamanho do investimento. Mas depois de alguns minutos de conversa, explica. “Para fazer uma cobertura meia boca, você precisa de US$ 500 mil (R$ 1,1 milhão). Nosso projeto é de US$ 1 milhão (R$ 2,2 milhões)”, diz o diretor, comentarista e, segundo ele próprio, até mesmo “carregador de equipamentos”. O potencial de capilaridade do projeto é o que, de acordo com Salomão, pode pagar as contas não só com a Fifa, mas de viagens, hospedagem e equipamentos, entre outros. Na Copa das Confederações, 188 emissoras espalhadas pelo Brasil retransmitiram os jogos da Rádio Miracema do Norte. “E não cobramos um real por isso”, explica. Há outro tipo de parceria ainda: 16 emissoras compraram um pacote diário com boletins, programas e entrevistas produzidos pela equipe de Salomão. O que rende, ainda de acordo com o diretor, R$ 64 mil no total. Muito, muito longe de fechar a conta junto à Fifa. “Juntei economias, vendi terrenos que tinha, fiz parcerias. Não é fácil sair de Tocantins e abrir esse espaço”, explica. Espaço que ele também abriu para a Copa 2010, Copa América 2011 e Olimpíada 2012. Segundo apurado pelo Terra, o direito de transmitir a Copa das Confederações via rádio exige investimento superior a R$ 600 mil. O acesso dos profissionais às partidas é cobrado individualmente: uma equipe com três profissionais precisa pagar, por jogo, mais R$ 9 mil. Nada, porém, que intimidasse Salomão. Há três anos, para ir à África do Sul, ele precisou aprender a escrever no computador ou mesmo operar o Skype. Hoje, comanda uma equipe que ele próprio define como otimista na cobertura da Seleção. Seu repórter bateu palmas para Daniel Alves depois de uma entrevista coletiva com críticas à imprensa brasileira, o que irritou outros colegas. Já em Fortaleza, seu comentarista durante Brasil x México fumou cinco ou seis cigarros, o que é proibido pela Fifa. “Nós queremos formar uma grande praça de rádios, queremos unificar a linguagem do Brasil, juntar a ginga do baiano com a malandragem do carioca. Na Copa de 2014, queremos estar na ponta dos cascos”. Sim, a Miracema do Norte também quer ir ao estádio em todas as partidas do próximo Mundial.
Fonte: Portal Terra/ Celso Paiva/ Dassler Marques e Fábio de Melo

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