Rádio Estadão terá narrador de "impacto" e transmissões somente "off-tube", garante diretor

 Redação Comunique-se   -  Anderson Cheni e Anderson Scardoelli 
Exclusivo
Acácio Luiz Costa é responsável pela
 nova fase da emissora do Grupo Estado
Diretor executivo das rádios do Grupo Estado, Acácio Luiz Costa argumenta que as jornadas esportivas comandadas no estúdio têm mais pontos positivos do que as partidas que contam com o locutor diretamente no estádio. Com essa visão, ele conta com exclusividade ao Comunique-se que a equipe esportiva da Rádio Estadão, que deve ser formada até o final do mês, vai realizar somente transmissões "off-tube"
Com histórico de estar à frente de veículos de comunicação em momentos de reformulação dos departamentos esportivos - foi durante sua gestão que Éder Luiz deixou a Band FM (em 1999), a Rádio Globo de São Paulo passou a "fazer tubo", e no fim do ano passado, a parceria do Estadão com a ESPN chegou ao fim -, Costa afirma amar a editoria e que sabe o valor dela para as grades das estações radiofônicas do país. Ao falar do seu carinho pelo setor, adianta que a equipe de esportes em montagem terá cinco repórteres, dois narradores e um comentarista. Sem revelar nomes, enfatiza que um dos locutores é "um nome de impacto". 
O experiente operador de  externa
 Luiz Henrique "State" já foi dispensado
Apesar de valorizar os investimentos na crônica esportiva e cravar que essa equipe ainda sem estreia definida será "grande" e autora de "conteúdo diferenciado", o diretor explica que a equipe técnica vai diminuir. Na noite dessa quinta, 17, dois operadores de externas, que acompanham os jornalistas nos estádios durante as transmissões de futebol, já deixaram a emissora. Luiz Henrique Oliveira (conhecido pelo apelido State) e Anderson Tico foram as baixas. Além do time de esportes a ser apresentado ao público, ao receber o colunista Anderson Cheni e o subeditor Anderson Scardoelli na sede do Grupo Estado, em São Paulo, o executivo também fala do núcleo de hard news da Rádio Estadão - responsável pela maior parte da programação da marca que entrou no ar no primeiro dia de 2013. A integração das mídias na empresa de comunicação e o fim da parceria com a ESPN também aparecem na conversa. 
Confira a íntegra da entrevista de Acácio Luiz Costa ao Comunique-se: 
Quais os projetos para a rádio com o fim da parceria com a ESPN? 
Vamos fazer a primeira rádio de conteúdo do Brasil, onde todas as plataformas estarão juntas. Não importa se no dial, na internet ou no jornal, o importante é que o Estadão estará produzindo. Todas as mídias estarão juntas em uma só emissora. Para o rádio, ainda vamos aumentar a nossa equipe de jornalistas. 
Desde que entrou no ar, em 1° de janeiro, a emissora está focada em hard news. 
A Rádio Estadão vai investir em uma equipe esportiva? 
Estamos em negociação com alguns profissionais para dar início às jornadas esportivas. Atualmente, já contamos com boletins feitos pelos profissionais do jornal impresso [Daniel Akstein Batista (Palmeiras), Fernando Faro (São Paulo) Victor Marques (Coritnhians) e Sanches Filho (Santos)] e com o 'Estadão Esporte', transmitido aos domingos. Em relação ao formato, adianto que iremos mudar o conceito de transmitir esportes, conceito esse que não muda desde 1950. Hoje, a programação exige outro formato. 
E como será esse novo conceito? 
Fazer as transmissões de futebol para quem estiver assistindo o jogo. Quando era o tempo áureo do rádio, a televisão não tinha o alcance que passou a ter no decorrer das últimas décadas. Atualmente, no Brasil, a televisão está inserida em mais de 98% dos lares. 
Qual será a estrutura para as transmissões dos jogos? 
Somente o repórter estará em campo cobrindo o jogo. Onde a equipe estiver, ele estará. Comentarista e narrador ficarão no estúdio, onde fica muito mais fácil com a tecnologia ver o jogo. O tubo [transmissão a partir da emissora] tem mais informação. Não adianta ter o locutor no estádio dizendo "não foi gol", enquanto as câmeras no estúdio mostram o contrário. Essa decisão não tem nada a ver com custos, pois não iria mudar em nada mandar equipe completa para o Pacaembu ou Morumbi, por exemplo. É uma estratégia baseada em recursos tecnológicos. 
Quantos profissionais serão contratados para o núcleo esportivo? 
Será uma equipe grande. Contrataremos dois narradores, cinco repórteres, dois colunistas e um comentarista. Por questão de contrato, ainda não posso revelar quem são, mas garanto que um dos locutores é um nome de peso. A equipe deve ser apresentada até o final do mês de janeiro. Em fevereiro, as transmissões esportivas terão início. Por outro lado, a equipe técnica vai diminuir. 
Tem a previsão de quantas partidas serão transmitidas pelo Rádio Estadão? 
Ainda não levantei esse dado, mas a quantidade não será tão grande. Vamos transmitir somente os jogos importantes. É a mesma estratégia que se aplica à política, não é porque é um assunto importante que vamos passar a transmitir as sessões da Câmara. A nossa equipe esportiva terá o espaço que merece, um espaço de destaque. Amo esporte no rádio. Essa história de eu chegar na emissora e tirar o esporte não tem fundamento. Além das transmissões das partidas, essa equipe comandará outros programas? 
Não teremos um programa específico de esportes na programação durante o decorrer da semana, mas a informação esportiva com os repórteres, colunista e comentarista terá espaço durante a nossa programação, como já estamos tendo desde o início dessa nova fase da emissora. 
A equipe chegará forte comercialmente mesmo dedicando-se apenas às jornadas? 
Já temos duas cotas vendidas para o esporte. A marca Estadão é muito forte e tem peso para isso. Independentemente da bola rolando, temos conteúdo. Exemplo: meses atrás, o Luiz Antônio Prósperi [repórter do impresso] entrou ao vivo na rádio e foi o primeiro a divulgar o acerto do Felipão como novo técnico da seleção. Esse e o próximo ano são de grandes eventos no esporte. Como o veículo está se programando? 
Estamos negociando os direitos da Copa das Confederações [este ano] e Copa do Mundo [2014] como um projeto multimídia, com todas as empresas do Grupo Estado. O custo para essas transmissões é muito alto, cerca de US$ 850 mil. Caso a detentora não aceite as propostas do Grupo Estado, não vai dar para cobrir os eventos com os direitos. 
Você chegou ao Grupo Estado sabendo que a parceria com a ESPN chegaria ao fim?
Quando vim para cá em julho de 2011, não sabia que a parceira de conteúdo com a ESPN iria terminar. Mesmo com o fim, mantivemos boa relação. A decisão de romper foi exclusivamente estratégica do grupo em querer focar na marca Estadão. E ela, a decisão, chegou ao meu conhecimentos no fim do semestre passado. 
Seis meses sabendo que a ESPN deixaria a grade, e a Rádio Estadão entrou no ar sem equipe esportiva... 
Tive seis meses para estruturar uma nova rádio, isso tendo que dar conta da antiga [denominada até o último 31 de dezembro de Estadão-ESPN]. Depois da decisão da saída da ESPN, conversamos bastante. Pensamos em continuar com alguns profissionais deles, caso do PVC, que continua como colunista do Estadão. Informamos nosso interesse à direção da ESPN. Eles não liberaram, e nós respeitamos. 
Há meta no Ibope para a emissora?
Nosso objetivo é a qualidade. Não estamos preocupados com a quantidade, mas é claro que não gosto de audiência baixa. Não vamos decepcionar o nosso ouvinte a nossa audiência.
Fotos: Anderson Scardoelli/Comunique-se e arquivo pessoal

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